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21 de dezembro de 2015

Tá chovendo (lá fora)

Via Tumblr.


Você pode ler ouvindo Zignal - Leito da Esperança


Você tem a informação. Você a usa? Você lê numa placa "cuidado, cão bravo", você vai ser cauteloso ou não?
Faz dias que estou tentando escrever sobre isso, fica meio difícil parir as palavras quando mexe com a consciência, eu já pensei em muitas formas, mas nunca encontrei a certa.

Lembro-me de uma vez, quando era mais nova, eu estava no quintal brincando com meus irmãos, e eles disseram "olha, Iasmim, que bonitinho" e eu vi minhoquinhas dentro da terra ensopada, achei a coisa mais legal do mundo, daí eles enfiaram minha cara na lama "só pra ver mais de perto" (hoje em dia é engraçado, na época eles tiveram que me dar banho depois de uma boa surra), eu sempre gostei da natureza, sempre me transmitiu paz, mesmo depois desse episódio.

Pensei várias vezes o quanto as coisas que estudo em geografia não me ajudam a mudar nada na realidade que vivo, até tive a ideia de fazer um planejamento, sabe, tipo esses panfletos informativos que entregam na rua.

Eu percebi que as pessoas iam deixar esse pedaço de papel (que já sofreu para chegar a sua mão) em algum lugar na estante, só por deixar mesmo e quando fizesse a limpeza geral da casa ia para o lixo como se não servisse pra nada.
Se as pessoas seguissem, de fato, os conselhos, as regrinhas básicas que encontramos nesses folhetos, não estaríamos tão desesperados com a taxa de mortalidade aumentando porque as pessoas estão ignorando o panfleto que entregam na rua, e isso é só um exemplo.

Dias atrás fui contatada para fazer um poema sobre aprendizado, um elogio aos estudos, ao conhecimento que obtemos, só que isso me fez pensar o quanto somos contraditórios ao dizer que amamos estudar, porque mal valorizamos o papel que temos.

Na frente da minha casa tem uma montanha muito bonita, de vez em quando, eu ia pra frente de casa só para ficar olhando-a, porque tem um formato de coração (esse tipo de coisa me cativa). Perguntei a várias pessoas se aquilo foi feito, "aquilo o que?" respondiam, e eu "nada, esquece" porque é visível, minha amis viu uma vez e achou muito bonitinho o fato de eu gastar o tempo com coisas assim.
Hoje essa montanha não é mais tão bonita, queimaram 80% da visão que eu tinha, inclusive esse coração.

Passamos meses sem chuva, não é mesmo? Nunca estamos contentes com nada "aff, que calor infernal!", "ahh, tá chovendo, não posso sair!", e sempre nos esquecemos que tudo o que acontece conosco é só um reflexo de algo que fazemos (cientes ou não). Nós reclamamos do calor, falamos do efeito estufa e não fazemos nada para melhorar, e, ah, não adianta fazer trabalho escolar, campanha nas ruas, muito menos dizer "não ao desmatamento" enquanto você for aquele que joga papel de bala no chão, que desperdiça papel, e ignora o folheto com informações que vão ajudar na sua vida.

Porque a) para esse papel chegar até você ou até alguém que vai produzir informação, essa folha passou por vários processos até ser o que é, b) várias pessoas trabalharam duro nisso, e c) nunca, (NUNCA) se esqueça: antes de ser papel, foi árvore.

Hoje tá chovendo: é lá fora! O céu não está feliz com a visão que tem do que somos hoje, porque tá todo mundo pensando em si mesmo, como se fosse um cavalo usando uma viseira, olhando só pra frente, sem se importar com os outros, ou até o famoso "olhando para o próprio umbigo". Pra que isso gente? 

P.S. Quando falo essas coisas não digo que necessitamos parar com a produção, e sim, que nós devemos fazer essas coisas de forma justa, sem ser pessoas egoístas, que só querem ganhar dinheiro e poder, deixando de lado a natureza, que é a raiz disso tudo.

Sem abraços,
estou triste.


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