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3 de junho de 2016

O amor não é algo prático

Reproduction/Girl Interruped

Bom, é preciso levar em conta que eu ainda não tive tempo de respirar e perceber como isso vai me afetar de verdade, eu não sei como eu vou lidar com isso, porque o baque ainda não teve a proporção que eu sei que vai tomar, talvez pelo cansaço físico e desgaste psicológico que tenho enfrentado nos últimos meses. São muitas coisas, e essa é algo que merece atenção especial, eu sempre dou prioridade as coisas do coração.

Estive pensando sobre como crescer sem perder a essência, sem deixar a criança que existe dentro de mim ir embora, porque essa parte, sensível, é a melhor de mim. Não quero me tornar uma pessoa seca, agreste, que não tem tempo pra pensar sobre a vida de forma poética. Eu quero viver a poesia que é a vida, da forma que sempre vivi, mas, ciente, claro, de todas as responsabilidades que o tempo traz.

Eu preciso sim me preocupar com minha alimentação que está um zero a esquerda, preciso dormir mais, planejar meu tempo, cuidar dos afazeres de casa, pensar numa forma prática em ajudar meus pais nos problems em casa, correr atrás das coisas de cunho escolar, do trabalho, coisas práticas como organizar documentos, manter sempre o uso de apenas uma caneta para evitar desperdícios... Têm muitas outras coisas que preciso me preocupar. E todas precisam de um cuidado especial.

Preciso focar nas coisas que realmente importam pra mim, mas como se foca em algo quando tudo que você faz é importante? Fazer estas coisas com todo o empenho, dedicação e possíveis adendos é desgastante, porém necessário. Crescer e ser adulto é isso? Ter que lidar com todas estas coisas e procurar priorizar por importância?

Pra mim fazer todas estas coisas, preciso fazer com amor, que não é algo prático, não está disponível ao meu tato, não posso organizá-lo numa caixinha, onde minhas experiências estão ordenadas por ordem alfabética e data. Preciso lidar com isso. Lidar não, preciso sentir isso. Sentir e canalizar, ciente de que eu não posso abraçar tudo.
Não é assim. É tipo, estar no trabalho sentindo um alvoroço interno, algo entupindo minhas veias, mas precisar canalizar, tentar focar em estratégias, formas de administrar meu tempo, desempenho e vontade, porque o amor não é algo que você escolhe, ele está lá, quer você queira ou não.

Por ora, estou abraçando tudo o que posso e não posso, procrastinando esse sentimento. Porque ele me faz sair transbordando por aí, ele faz eu me enfiar na semana, no mês, no ano, sem perguntar se a pessoa está pronta ou não pra lidar com isso. O amor me faz não me importar, ele faz com que eu esteja sempre jogando tudo em cima das pessoas, e depois fique assistindo-as desnorteadas, e eu... acho que um pouco mais destruída, e um pouco mais forte.

Eu sei que tenho que pensar de forma prática em relação a isto, talvez eu esteja fazendo isso agora, mas em algum momento, eu vou ficar baqueada, vai acontecer. Espero que ninguém esteja por perto para assistir.

6 comentários:

  1. Sinceramente eu lí e gostei muito Iasmim

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  2. Edkarlos Batista3 de junho de 2016 22:56

    Cada vez mais enveredada na introspecção de Clarice. Excelente texto. Gostei.

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    1. Ain, Clarice? Assim eu me acho e tenho certeza rs.
      Obrigada! <3

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