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14 de maio de 2016

Ela é feita de extremos


Você pode ler ouvindo Corinne – Put your records on

Por um lado escreve rápido para não perder as palavras, que quando vai reler o rascunho precisa de um pouco de esforço para entender os próprios garranchos. Por outro lado se sente inútil quando não consegue escrever o que está sendo produzido pela alma. Ela e essa mania de perfeccionismo, ela e essa mania de seguir piamente o que o coração que pede pra ser escrito numa folha, na alma, num sorriso, num abraço, no seu abraço.

Às vezes, ela senta com suas amigas, lembrando de situações e rindo até precisar se dobrar sobre as pernas, a saudade sempre lhe soca o estômago, então ela precisa colocar umas coisas no lugar. Ela veste sua calça mais apertada e faz a melhor maquiagem, para manter os sentimentos nos devidos lugares e não sair transbordando por aí, desperdiçando rímel. Ao mesmo tempo que finge não se importar e passa seu melhor perfume, o coração bate alto e descompassado, quebrando-a em mais dois pedacinhos.

E ela jura, no fim da noite, enquanto traga a saudade, que vai aguentar até chegar em casa e que, finalmente, entre quatro paredes, vai pôr Ed Sheeran pra tocar e cumprir seu papel de anjo caído, com as asas sangrando através da pele. Mas, quando chega em casa, lembra que está sem os CDs do Ed no celular, percebe que suas asas não sangram, e que, às vezes, precisamos engolir o choro e vomitar as palavras ao som de Corinne.
Então, girl, put your records on!