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20 de maio de 2016

Sonhos #2

By Tumblr.
Você pode ler ouvindo Ariana Grande - Touch It.

Eu havia criado o hábito de ir ver o pôr-do-sol todo sábado. Quando estava acompanhada ficava nas mesas dos restaurantes, quando ia sozinha ficava sentada na praia, com meus fones de ouvido e uma garrafa térmica com água, pra suprir minha sede frequente. Então lá estava eu sentada na areia da praia, o sol estava perto de se pôr, nos fones tocava Justin Timberlake, numa tentativa de evitar os pensamentos que sempre me rondavam, ele sempre estava lá...

Não sei como nem quando, mas meus sentimentos por ele haviam crescido, e já faziam quase quatro anos desde que ele foi embora. Pensei que a mudança de cidade poderia ajudar, mas desde que nos encontramos da última vez, as coisas haviam se intensificado. É como se existisse alguma coisa que precisa incessantemente ser levada ao cabo: acontecer, ou acabar de vez.
Não é como se eu só quisesse ficar com ele, pelo simples fato de nunca ter o tido. Querer é supérfluo demais. É mais, muito mais que isso.

- Luce? - Eu só podia estar ouvindo vozes, não era possível. Ignorei.
- Luce?
Dessa vez sentir uma mão tocando meu ombro, e levantei assustada. Naquele instante tudo havia desaparecido, eu não ouvia mais nada, o som das pessoas conversando e rindo, nem as ondas quebrando na areia, absolutamente nada. Me encontrar com aqueles olhos castanhos (mais bonitos do que nos meus sonhos) fez a beleza do sol se ofuscar.
- Ai meu Deus! O que você está fazendo aqui?
- Eu vim ficar com você. – Ele me abraçou, e eu tive a sensação de que se havia um lugar ao qual eu gostaria de voltar toda noite, era exatamente ali, no abraço dele.
- Senti muito a sua falta. – Falei, baixinho, com a cabeça aterrada no seu peito.
- Eu vim assim que terminei de ler sua carta.
- Eu não deveria ter enviado... Não posso pedir pra você fazer isso. – Me afastei do seu abraço, e voltei a sentar na areia, ele fez o mesmo e ficamos olhando pra linha do horizonte.
- E se eu quiser? – Pude sentir seus olhos analisando meu rosto, a procura de uma resposta.
Acho que se ele pudesse sentir meus batimentos cardíacos, saberia exatamente que eu também queria. Mas, não...
- Eu me culparia o resto da vida.
- Eu estou assustado, e com medo. Mas, e se a gente tentar e der certo?
- Não acho justo contigo. – Permaneci olhando fixamente para o Mar, era difícil acreditar que ele estava ali, do meu lado, falando as coisas que eu sempre quis ouvir. Que ele havia largado tudo pra ficar comigo. Não é justo. Eu preciso dele como se eu começasse em mim e terminasse em alguma parte do sorriso dele.
- Não estava sendo justo com nenhum de nós dois. – Senti sua mão tocando a minha levemente. Ele colocou seus dedos entre os espaços dos meus e começou a afundá-los dentro da areia, e eu fiz o mesmo. Da última vez, nossas mãos ficaram, por cinco segundos, a dois centímetros, mas não puderam se tocar. Ali, agora, ele estava tão perto.
- Você está mais morena. – Ele disse, enfim, quando não respondi.
- E você com uma ótima barba. – Precisei olhá-lo. Conferi cada traço do seu rosto, absorvi o possível, como se ele fosse desaparecer se eu piscasse os cílios. Seus lábios espremidos no sorriso interno de sempre, os olhos castanhos como se me convidasse a morar dentro deles...
Ele me olhava intensamente, e eu não podia desviar. Senti suas mãos, ainda com um pouco de areia, tocando minhas bochechas. Pude sentir que as maçãs do meu rosto estavam quentes, vivas, exatamente como o sangue fervilhando nas minhas veias. Eu me sentia tão viva... tão pura, humana.


- Luce, sua louca! Você estava dormindo há quanto tempo?

Ouvi a voz de Sophia, tirei os óculos do rosto, tentando entender o que havia acontecido. Senti a pele dolorida, quente. Olhei para o mar, e quis me afogar. Eu havia sonhado novamente.