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26 de maio de 2016

Da série: amiga, obrigada (#3)

By Reproduction


Parte de mim sabia que ela não conseguia falar porque sabia como me sentia, e embora soubesse que podia confiar em mim, era ela quem abraçava forte e dizia que tudo iria ficar bem, embora eu saiba que ela sempre conseguiu se convencer melhor que as outras meninas, essa é minha vez. E, se quer saber, eu já gostei de alguns caras na minha vida, e nada nunca foi tão profundo quanto o que ela sente por ele. Também pudera, ela é deeper, profunda demais, intensa demais, ela é a onda perfeita para surfar e o máximo que ele consegue é remar deitado na prancha.
Carregamos três garrafas de vinho e uma cartela de Black sabor menta de volta a duna que estávamos sentadas. Abri uma garrafa e virei na boca, dando uma boa golada e passei pra ela.
- Você precisa falar.
- Calma, nem comecei a beber.
Abri a cartela de cigarros e ri ao procurar, inutilmente, pelo isqueiro:
- Que tipo de fumante esquece que precisa de fogo pra fazer a coisa funcionar?
- Nenhum, não somos fumantes, prova disso é essa frase boba. “Fazer a coisa funcionar” – Ela riu de mim. – Não somos viciadas. Apenas tragamos saudade... EEII, SEU MOÇO!
Virei o rosto pra ver pra onde ela gritava e vi um rapaz de cabelo longo molhado e barba muito bem feita com um cigarro entre os lábios. Ele se aproximou e disse algo com aquele sotaque maravilhoso dos portugueses, e sorriu ao entender o que queríamos dizer com o cigarro apagado em nossas mãos. Então, abriu o bolso esquerdo da mochila que carregava nas costas, tirou um isqueiro, nos entregou e saiu andando.

- EI, CÊ ME ESQUECEU!!! – Gritei, e foi o suficiente para cairmos na risada de novo.

(CONTINUA...)