RELACIONADOS



categorias

22 de abril de 2017

Pra quando você duvidar do Amor



Olá moça, você me perguntou o que é o amor, lembra?

Eu não sei como lhe responder, por que o amor não se explica apenas se vive. O amor é respeito, admiração, cuidado, perseverança, carinho, sinceridade com sabedoria, simpatia, olhos brilhantes, sorrisos soltos, suspiros, muitas emoções, atitudes que mostrem a importância de quem se ama.
Se eu olhar pra meu pai, sabe o que vejo? Vejo um homem em que me sinto segura, pois se algo o abalar, algo em mim ficará incerto. Vejo cuidado, aquele trabalho que lhe suga as energias para que eu tenha o que comer ou o que vestir e mais algum agrado. Vejo aquela admiração por me ver concluir mais uma etapa, mais um sonho, por ter orgulho de me criar no caminho bom neste mundo caótico. Vejo alguém que me respeita quando estou naqueles dias tristes, nas decisões que devo tomar uma direção. Alguém que me deixa seguir, que não me julga e, simplesmente me ama e eu tento retribuir. Eu vejo o amor!

Se eu olhar pra minha mãe, eu vejo cada cuidado, cada surpresa, cada abraço, cada beijo de comemoração, tristeza, felicidade ou afeto. Vejo aquele sorriso ao me contemplar lendo, aquela mulher que luta pelo meu futuro, que me apóia e observa cada sorriso, tombo, decisão e diz: Eu ainda estou aqui, não importa o que aconteça. Eu vejo o amor!

Se eu olhar para cada amigo, verei seus defeitos, suas qualidades e o respeitarei nas suas diferenças, eu irei buscar algo que o faça sorrir e o abraçarei quando estiver triste. Eu o amarei incondicionalmente, mesmo se me abandonar em algum dia, por orgulho ou o que seja, lembrarei os dias que passamos juntos. Eu sinto o amor!

Se eu olhar cada paixão, cada “amor”, os que nunca deram certos, aqueles que nunca aconteceram, mas cada momento é uma dádiva e me senti bem, então vejo o amor, sinto amor, amor de amigo, amor de irmão.

Eu lhe respondi, moça: “Só não deixe acumular, multiplique e transborde. Viva! E se o amor for o que pensas... Viva menina, deixe sair para que venha mais”.
Só que no mundo atual, nos agarramos a dor. E porque gostamos da dor, moça? Porque quando estamos tristes, ouvimos uma música triste, algo que nos faça lembrar o objeto/criatura que causa a dor e não tentamos sorrir?
“Mas eu amo a dor, ela me ajuda muito. Eu sou uma garota forte na maior parte do tempo, mas, as vezes, eu preciso me doer um pouco para lapidar a pessoa que eu sou, ou vou ser”, você diz. “Eu não me importo, eu dou a cara a tapa, esses são meus sentimentos, não tenho vergonha deles, de mostrar eles.”

Eu sei que você gosta de sentir tudo o que estiver ao alcance, você se entrega até a alma, nunca fica na superfície. Você vai até o fundo do oceano de um ser e extrai tudo o que pode. Você vai sempre ser intensa, moça! E ainda assim, sente esse vazio... Por quê? Você se realiza em cada instante, em cada coisa, em cada ser. Mas ainda não foi o suficiente, moça, você ainda não foi completa... Por quê?
“Porque falta mais de mim, tem muito deles e pouco de mim. Acho que é isso, por isso que quero ficar só...”, você insiste. “Tem muito deles dentro de mim e pouco de mim dentro de mim”

Jura? Você se doa, doa tudo o que tem sempre moça! E ainda diz que tem pouco de você? Se muitos se doassem como você se doa, o mundo seria diferente. Você é intensa, mas não é o suficiente, nunca foi, não por você... Ainda te falta algo, ainda te falta alguém. Ainda não se completou porque seu corpo sempre terá sede, mas sua alma ainda se encontra vazia. Há um buraco e ainda não foi preenchido para transbordar.

Por isso que a religião vem, por que há coisas que só a carne, só a humanidade não preenche moça, vai te faltar algo! Neste mundo há espíritos, anjos, demônios e humanos que transitam juntos no mesmo espaço e afastados também. Qual espírito você escolhe?
Nunca será suficiente se alma, espírito e corpo não forem Uno* em si. Olhe para si mesma, faça um checape. Retire o que faz mal e deixe o que faz bem, filtre quem vai entrar em sua vida. Não vai se tratar de vergonha de sentir, mas conhecer a si mesmo exige que se renove. Tente limpar aquilo que faz mal pra explorar o que te faz bem, para saber qual seu plano, qual sua essência moça!

“Nunca fui boa com planos”, você diz.
A vida segue, amor, mas quanto a planos me refiro a entender qual seu curso, seu ciclo, sua decisão na vida. Siga seu coração, mas lembre-se que haverá um juízo. Pense consigo mesma, é sábio agir dessa forma ou posso melhorar? Neste mundo há muitos julgamentos garota, mas cabe a nós mesmos decidir sobre qual enfrentaremos, qual suportaremos e seguiremos. E no meio de todo esse caos, eu escolho amar.

“O que faz você saber que ama uma pessoa?”

Eu li outro dia “Moça, tudo bem ser indecisa quanto ao sabor do sorvete, a camiseta, a pizza, a faculdade. Mas jamais aceite viver com a dúvida sobre o amor de alguém por você. Não dá pra amar escondido, o amor salta, se mostra, derrama pra todos os lados. Se você não o vê, acredite, ele não existe”. Esse trecho é do livro A menina e o violão.
Você se denomina uma herege, mas através das suas orações, você foi um canal de Deus que me salvou. Sabe aqueles dias “bad”? Foi aquela simples mensagem: “Estou orando por você”, isso é o melhor eu te amo que já ouvi, isso é tão puro e sincero. Moça, ainda que eu desse a minha vida pela sua, não seria suficiente, mas Cristo fez isso por nós, ele se deu, ele nos amou!

Quem é o amor, senão Cristo?
Sabe como sei que amo as pessoas? Eu sinto compaixão pelas pessoas abandonadas (crianças que tem seus pais em casa, mas se sentem invisíveis; pessoas na rua; drogados que buscam felicidade ou tentam apagar as dores em um fumo, em uma pedra, em um pó, ou na bebida; pelos órfãos), eu retribuo o amor que recebo de meus amantes (pais, amigos, irmãos, parentes, conhecidos). E antes que me jogue uma pedra, amante é aquele que ama! Não traidores, mas amores, amantes, amizades!
Eu te amo moça, você tem um talento incrível, sempre me surpreende. Eu fico perdida em mundo, tanto amor, tanta sinceridade, tanta dor... Você tem um coração maior que o corpo, uma alma grande pra esse universo.


Eu não estou sempre ao seu lado, eu discordo de algumas coisas que você apóia, mas o importante é que eu te amo, te respeito nas diferenças, te valorizo e não quero te perder. Você é a amiga, a irmã, a psicóloga, a professora, a minha escritora, você é alguém que eu não abro mão. Eu te admiro, admiro cada vez que você levanta e recomeça, admiro cada trabalho, cada escrita e te peço de noite “lê pra mim, por favor” com aquela voz de necessidade, por que você escreve vida! Eu amo sua voz, as vezes me pergunto se você não está chorando, por que sinto toda a emoção que pode existir quando você lê, quando você se abre, quando escreve, eu te vejo, e ainda muito te desconheço, mas eu te amo, e é assim que sei que te amo, só sei que é assim!

_________________________________________________________________________________

*Esse texto foi escrito por Déborah Couto para mim, quando eu estava numa das minhas bads nível Tumblr, jogando meus anseios por aí, no colo de pessoas (como Debinha) que sempre me acolheram.
Sou muito grata pela sua amizade, meu amor. Deus te abençoe! Amo você!